sábado, 23 de outubro de 2010

O turismo nas áreas rurais


O turismo surge como uma das novas funções do espaço rural e constitui uma das actuais prioridades estratégicas do desenvolvimento rural pelo papel que poderá ter na preservação do potencial cultural e ambiental das áreas rurais e na promoção do desenvolvimento socioeconómico. Esta actividade poderá contribuir para a diversificação e rentabilização da base económica destas áreas, quer pela criação de emprego, quer pela melhoria dos serviços básicos e das condições de acessibilidade, quer mesmo pelo aumento da equidade entre população urbana e rural.

Perante o decréscimo da atractividade das sociedades urbanas-industriais , devido à persistência de factores como a poluição, o stress e a solidão, as áreas rurais têm-se evidenciado principalmente pela escassa intervenção do Homem. O turismo estruturado e controlado pode constituir uma mais-valia, nomeadamente na melhoria das condições de vida das populações e também na conservação da herança natural e cultural existente. Ao contrário, o turismo desordenado e massificado poderá ter consequência negativas e irreversíveis, como a degração dos recursos naturais e culturais e até o aumento da hostilidade por parte dos habitantes.

O reconhecimento social e institucional do importante papel das áreas rurais na qualidade de vida da sociedade reflectiu-se, e continua a reflectir-se, na frequente procura de pessoas não rurais por estes espaços.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As parábolas dos autarcas

O grande crescimento dos fluxos turísticos, verificado nos últimos trinta anos, veio permitir o desenvolvimento de regiões (veja-se o caso do Algarve) e mesmo de países com consequente renovar de interesse como instrumento de desenvolvimento económico.
Contudo, embora a procura de serviços de turismo seja crescente ela tem sofrido modificações qualitativas cuja ignorância tem levado a que muitos investimentos públicos e privados no sector tenham não só sido um falhanço sobre o ponto de vista financeiro como também inviabilizado a utilização de recursos naturais não renováveis (paisagísticos, flora, etc.) cuja exploração deve ser optimizada numa perspectiva de longo prazo.
Em particular, há hoje em dia, por parte de muitos autarcas do interior do país, uma esperança exagerada na possível contribuição do turismo para promover o desenvolvimento dos seus concelhos. Tal poderá levá-los a dedicar recursos financeiros a infra-estruturas e acções promocionais que as potencialidades turísticas do seu concelho não justificam.
Sem correr o risco de exageros poderá mesmo dizer-se que no momento a região da Beira Interior é talvez a única, no interior do país, cujas aptidões turísticas justificam expectativas relativamente ao seu desenvolvimento a médio prazo.
Mas, para isso torna-se necessário trabalhar com as ferramentas necessárias para tornar essas potencialidades uma realidade.
Fica um desabafo, fiquei triste e desiludida quando li, num dia destes num site municipal de um certo concelho se encontra a seguinte noticia: ""aldeia histórica" é um destino de referência"! E pensei no momento ou ando muito distraída ou aquela gente do poder local anda a querer enganar quem? Se me disserem que é um ponto de passagem de referência! Isso sim é discurso real, que infelizmente, nem a oportunidade de ser um ponto de passagem está a ser utilizada para inverter e enveredar por um caminho certo para o desenvolvimento local.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Turismo sustentável

A sustentabilidade, que alguns estudiosos já designaram de " a quadratura do círculo", ao postular a simultaneidade da rentabilidade económica, equidade social e preservação dos ecossistemas, é um desafio que as populações locais enfrentam, dispondo actualmente de um conjunto de instrumentos onde a tradição materializada pelas especificidades locais e a inovação, produto do partenariado local com os poderes públicos e a comunidade científica, se torna hoje possível pela profunda alteração do perfil dos visitantes. Da valorização da gastronomia, da centralidade do contacto com a natureza, de um outro olhar sobre o outro, têm vindo a ser cada vez melhor sucedidas as experiências de desenvolvimento que articulam a tradição e inovação. Dos itinerários temáticos, integrados e específicos, da multiplicidade de formas de alojamento em espaço rural, das experiências de educação ambiental, as receitas estão aí, para serem bem sucedidas ou fracassarem, tanto pelo (des)envolvimento local, como pela verticalização da economia, ou pela promissora tensão entre a globalização e o reforço (reconstrução) das identidades locais.
Num mundo de profecias não cumpridas, tenhamos a humildade de aprender com o terreno e afirmar que a sustentabilidade não é um processo fácil. É possível, ou como afirmou um grande cientista desta área, refiro-me a Marie-Françoise Lanfant, "que o impossível se torne provável".

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Planeamento regional

Em todas as esquinas da sociedade se fala em planeamento! Mas afinal que produto é este? Aonde se aplica? O que implica? Quem pode fazer uso? etc, etc...! Muito simples: planear consiste em impulsionar o desenvolvimento, não apenas como crescimento económico traduzido na frieza dos números, mas, sobretudo, como um processo cumulativo de mudança e evolução social que abrange igualmente dimensões culturais, qualidade de vida, alternativas de utilização dos meios de produção, aplicação dos recursos escassos....
O planeamento, seja nacional ou regional, tem que se apoiar em estudos interdisciplinares que contemplem os múltiplos aspectos da realidade, a serem realizados por equipas de técnicos: economistas, geógrafos, sociólogos, arquitectos, engenheiros, especialistas dos vários ramos de produção...de modo a que, a um equilíbrio espacial corresponda um equilíbrio de género de vida, traduzido pela dimensão humana do espaço habitável, do equilíbrio ecológico, prosseguindo-se a plena utilização das potencialidades de cada região.
Em termos práticos e de balanço do que tem sido feito, temos que reconhecer que a nossa região, e de um modo geral todo o país, está tudo muito turvo! No que diz respeito à recolha de informação e seu estudo, é um facto que está muito disperso e descoordenado. Quase sempre os estudos e análises ficam fechados e propriedade material dos serviços e entidades, em vez de serem devidamente divulgados e passarem a ser propriedade intelectual de toda a população.
Mas poder-se-á afirmar: não chega só estudar os problemas, fazer relatórios, publicar documentos; tal afirmação é, evidentemente, verdadeira, embora no caso dos estudos serem concretos, correctamente elaborados e serem amplamente divulgados, constituem um passo importante para as acções correctas.
Contudo, perante os estudos e documentação produzida sobre os problemas da Beira Interior, reconhecemos que se torna indispensável e prioritário que, quer a continuação dos estudos quer a acção concreta do planeamento e intervenção sejam coordenadas de modo a integrar os meios e os objectivos dos vários serviços públicos e entidades privadas.
Tal coordenação pressupõe a existência de órgãos de planeamento a nível regional que dêem coerência e sentido global ao conjunto de acções concretas.
Sem a existência destes mecanismos todos os esforços e "boas" intenções não terão devido suporte orgânico e coordenador que faça avançar em vez de se estar sempre a bater na tecla da crítica, nem sempre bem fundamentada ou autorizada. Para quando a Regionalização efectiva dos Serviços e Órgãos de Planeamento?
Desenvolvimento regional que fazer? Que produzir? Como produzir? Que benefícios regionais da produção? Tais interrogações produzem aspectos básicos do diagnóstico produtivo que é indispensável concretizar, com vista ao mais correcto aproveitamento das especializações naturais de cada região.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gestão regional

Estamos numa região carenciada sob aspectos económicos, sociais e culturais, atravessando-se um período em que as suas actividades económicas tradicionais carecem de ser repensadas, não só porque têm atravessado crises agudíssimas, mas também porque há pouca diversificação económica com desaproveitamento de potencialidades. Há desemprego, vocações económicas por desenvolver (agricultura, minas, turismo...) etc.
Pode afirmar-se, que na Região da Beira Interior se vivem agudamente situações que exigem se preveligie a gestão. Mas, o que é a Gestão?
Para nossos propósitos de agora dir-se-á que são caminhos e actuações com vista a mudanças, à criatividade, à tomada de decisões, isto é, à escolha de recursos de diversa natureza e às suas utilizações coordenadas e controladas. Em suma: é actuação económica, busca de progresso e de bem estar.
Há que apresentar ideias de forma como se deve encarar a gestão, de maneira a poder contribuir-se para um delineamento do que deverá significar a GESTÃO REGIONAL. Há que encontrar pressupostos explicativos de quais devem ser os objectivos a alcançar com a gestão, quem a deve exercer, como exercê-la e com que meios.
É que o actual papel do fenómeno da gestão e a extrema complexidade de que se vai revestindo bem como os inconvenientes sociais que o seu desempenho arrasta, impõem o seu profissionalismo.
Todavia, no nosso País, não tem sido salientada a necessidade de estabelecer os atributos caracterizadores do gestor.
Talvez estejam aí as causas mais relevantes do nosso atraso económico, da resistência a mudança, da baixa produtividade dos serviços públicos e empresas, da desorganização administrativa geral, da rotina entorpecedora, da falta de definição de prioridades, das ausências de controlo, de corrupção, da imoralidade......
Por outro lado, há o dever de num planeamento gestivo se tentar evitar maiores assimetrias pois estas não favorecem um processo de desenvolvimento harmonioso, Aliás, a região é realidade concreta pelo que numa política global e sectorial tem de se descer às parcelas que são as regiões: o desenvolvimento nacional é o resultado do desenvolvimento regional, meus amigos!!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O desenvolvimento local em áreas rurais de baixa densidade

Hoje, o mundo rural Português apresenta mutações estruturais profundas, originadas pelo modelo de desenvolvimento económico adoptado (paradigma funcionalista) e pelos efeitos das políticas sectoriais (sobretudo agrícolas e regionais) seguidas, durante o período do Estado Novo até à actualidade, porque não reflectiram as verdadeiras necessidades das comunidades locais.
É neste quadro que desde a década de 70, o conceito de desenvolvimento rural tem tido um papel primordial enquanto base de reflexão de inúmeros autores, um pouco por todo o mundo, inclusivamente em Portugal e, que tem subjacente um conjunto de processos de desenvolvimento, que pretendem melhorar as condições de vida das pessoas que vivem em áreas rurais através da valorização e mobilização de todos os recursos endógenos, no sentido de promover processos que respeitem e articulem os princípios de: eficiência económica, equidade social e territorial, qualidade patrimonial e ambiental, sustentabilidade, participação democrática e responsabilidade cívica.
O quadro das políticas que têm vindo a ser implementadas como resposta à problemática do desenvolvimento rural revela enormes deficiências em políticas, por parte, do Estado Português para contrariar a situação de despovoamento acelerado e pobreza do mundo rural.
A ruralidade assume-se como uma opção de civilização com características muito próprias e, desta forma, não pode nem deve ser vista como algo que se deve combater, ou seja, a ruralidade adquire a qualidade de recurso endógeno sobre o qual se deverão ensaiar objectivos estratégicos para o Desenvolvimento dessa comunidade e desse território.
Com adesão de Portugal à União Europeia (1986) iniciou-se um processo de ajustamento das políticas, levando o governo a constituir o desenvolvimento rural, como um dos pilares fundamentais no desenvolvimento a nível regional e nacional. A reavaliação do papel da agricultura e a abertura de novos caminhos produtivos (por exemplo: turismo e produtos locais de qualidade) são questões-chave no sucesso das políticas de Desenvolvimento Rural, considerado como instrumento na reestruturação da sociedade com o território.
Na última década, os contextos territoriais de baixa densidade adquiriram uma ressonância crescente com as políticas públicas orientadas para o desenvolvimento local através de um maior aprofundamento das intervenções territoriais no âmbito dos Quadros Comunitários de Apoio (QCA).

domingo, 17 de outubro de 2010

Gestão territorial

Pensamos que o desenvolvimento é antes de tudo, uma questão de disposição de espírito, de tomada geral de consciência de uma situação desfavorável e do desejo profundo de sair dela. As formas imediatistas e individuais, encontradas pela população das zonas do interior, para sair da situação de atraso (a emigração e o êxodo rural) estão esgotadas. Este processo e as suas consequências foram acentuadas por uma política económica decidida e programa a nível central , sem ter em conta as diferentes características, potencialidades e interesses das regiões. Hoje perante a situação em que o país se encontra de insuficiente, descoordenado e desigual desenvolvimento económico e social, impõem-se transformações profundas que alterem este quadro.
Consideramos que a questão de fundo é a da incapacidade de gestão e a falta de adequado planeamento das actividades económicas e sociais. A gestão, para além das condicionantes políticas, aprende-se nas escolas e no enquadramento funcional das estruturas produtivas. Na aprendizagem da gestão vale a pena investir em força e com prioridade. Investir na formação académica e na reciclagem, na articulação e complementariedade das escolas com as empresas. Simultâneamente importa redistribuir mais equilibradamente o capital de gestão, entre o litoral e o interior, através de políticas concretas e estímulos de fixação de gestores e técnicos no interior. Só partindo da mudança qualitativa dos recursos humanos, se poderá operar a mudança das estruturas produtivas, melhorar o nível de criação de riqueza e respectiva distribuição.
Todas estas questões estão subjacentes a uma estratégia de desenvolvimento regional, numa estreita ligação ao ordenamento do território encarado como quadro espacial em que se definam as prioridades de investimento, devidamente articuladas com as potencialidades e carências regionais e locais.

sábado, 16 de outubro de 2010

Decisões tomadas nas regiões

Para se avançar no Desenvolvimento Regional, não chega aos órgãos centrais reconhecerem a necessidade da descentralização, estarem receptivos a decisões de localização de investimentos no espaço regional. É indispensável que a descentralização se concretize de modo amplo e profundo e a nível de decisão e meios de acção, de modo que as decisões de localização sejam tomadas na região. São apenas órgãos regionais que estarão em condições de informação correcta e de poderem avançar na análise pormenorizada e actualizada da estrutura produtiva dos serviços que existem e das carências mais importantes para a região. Tal informação e análise pressupõe estudos de acção constante através de inquéritos e de contacto e diálogo com as populações.
Tais estudos e acções terão necessariamente que utilizar um método de trabalho concreto e adaptado a cada região.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A evolução da agricultura a partir de 1974....

A análise explicativa da situação que o sector agrícola apresenta, passa pela mudança de regime operada em 25 de Abril, as transformações económicas e sociais que começaram a ser esboçadas, pretenderam alterar as bases e os objectivos do modelo económico e político. Tais alterações, embora afectando todos os sectores da economia, reflectiram-se de uma forma mais aguda no sector agrícola.
As relações de produção área do latifúndio rebentam pelas costuras e dão-se as ocupações de explorações agrícolas por trabalhadores rurais originando através de um processo descontrolado, novas formas de unidades produtivas. A seguir, concretizou-se a nacionalização da maior parte dos latifúndios e das áreas dos perímetros regados, cujas obras de hidráulica tinham sido financiadas e executadas pelo Estado. Contudo, os problemas de fundo da agricultura não foram ultrapassados.
Na zona de intervenção da reforma agrária continua a predominar a monocultura extensiva e, a norte do Tejo, continuam a praticar-se as mesmas culturas em processo diminuto, sem grandes avanços de tecnologias e não se vão avançando significativamente no aproveitamento integrado das especializações naturais de cada zona.
Os Governos, apercebendo-se das dificuldades com que se debatia o sector agrícola e das implicações negativas que daí representavam para o desenvolvimento económico do país, tentariam minimizar tais implicações através das várias medidas. Contudo, foram quase sempre medidas pontuais e, por vezes, mesmo contraditórias, dadas as diferentes perspectivas e objectivos políticos de conjuntura, dos sucessivos Governos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O desenvolvimento local em áreas rurais de baixa densidade


Hoje, o mundo rural Português apresenta mutações estruturais profundas, originadas pelo modelo de desenvolvimento económico adoptado (paradigma funcionalista) e pelos efeitos das políticas sectoriais (sobretudo agrícolas e regionais) seguidas, durante o período do Estado Novo até à actualidade, porque não reflectiram as verdadeiras necessidades das comunidades locais. É neste quadro que desde a década de 70, o conceito de desenvolvimento rural tem tido um papel primordial enquanto base de reflexão de inúmeros autores, um pouco por todo o mundo, inclusivamente em Portugal e, que tem subjacente um conjunto de processos de desenvolvimento, que pretendem melhorar as condições de vida das pessoas que vivem em áreas rurais através da valorização e mobilização de todos os recursos endógenos, no sentido de promover processos que respeitem e articulem os princípios de: eficiência económica, equidade social e territorial, qualidade patrimonial e ambiental, sustentabilidade, participação democrática e responsabilidade cívica.
O quadro das políticas que têm vindo a ser implementadas como resposta à problemática do desenvolvimento rural revela enormes deficiências em políticas, por parte, do Estado Português para contrariar a situação de despovoamento acelerado e pobreza do mundo rural.

domingo, 10 de outubro de 2010

A europa de hoje

A evolução tecnológica, a globalização e o envelhecimento demográfico são fenómenos que estão a mudar as sociedades europeias. Nos últimos anos, o ritmo de mudança intensificou-se. Os europeus vivem vida mais longas e saudáveis no quadro de novas configurações familiares e de novos modelos de trabalho. Os valores e as relações entre gerações estão em evolução. A situação dos europeus é hoje caracterizada pela disponibilização de oportunidades sem precedentes, pela diversificação de escolhas e pela melhoria das condições de vida. A UE, designadamente através da Estratégia de Lisboa para o Crescimento e Emprego, de uma melhor integração dos mercados e da estabilidade macroeconómica, tem sido fundamental na criação dessas perspectivas, favorecendo o emprego e a mobilidade.

sábado, 9 de outubro de 2010

"A petrolífera do turismo"


O sector turístico, assume-se como a principal actividade económica da actualidade, e neste sentido a Organização Mundial do Turismo (OMT, 2000) prevê um crescimento para o turismo internacional muito significativo, pois irá praticamente triplicar nos próximos vinte anos, ultrapassando em termos de exportações os sectores ligados à produção petrolífera e ao comércio de automóveis. No contexto da Europa, as previsões da OMT, para 2020, apontam para 717 milhões de chegadas turísticas internacionais, correspondendo a uma quota de mercado de 46%, ajustando-se o crescimento de chegadas turísticas internacionais para 3% ao ano (OMT, 2000). Também Portugal não é excepção ao desenvolvimento desta área de actividade, assumindo-se como uma real estratégia para a economia portuguesa em virtude da sua capacidade em criar riqueza e emprego. Ao mesmo tempo que o turismo pode trazer abundantes oportunidades e benefícios, é fundamental que o seu crescimento seja efectuado de forma sustentada, quer a nível económico, cultural e patrimonial, quer a nível ambiental. Paralelamente com uma das taxas de crescimento mais rápidas de todos os sectores da economia, assiste-se a uma diversificação dos produtos turísticos que tendem a ser orientados para novas ofertas e novas experiências inovadoras e diversificadas, para o reforço das parcerias estratégicas e para a preservação do equilíbrio ambiental e a valorização do património cultural. De alguma forma, podemos dizer que o turismo precisa de desconcentrar-se e diversificar-se, aproveitando o potencial das regiões e configurando produtos turísticos alternativos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Representações e visões acerca do turismo para o desenvolvimento rural

Por razões de ordem estrutura e, acima de tudo, por falta de empenho político, vastos territórios rurais de todo o interior do país foram sistematicamente deixados à margem, excluídos das agendas e das dinâmicas de desenvolvimento concretizadas ao longo da segunda metade do século passado, e convertidos em meros reservatórios de recursos materiais, recrutados/recrutáveis para sustentar os processos de crescimento económico de sede urbana e litoral.
Em consequência, o declínio instalou-se, criou raízes, autoalimenta-se e a grande maioria dos territórios rurais acha-se, actualmente, convertida em lugares de vida e de trabalho indesejáveis e inviáveis.
Nas várias e exaustivas causas, contornos e consequências, o percurso descendente destes territórios vem , um tanto paradoxalmente, coincidindo com um movimento ascensional de revalorização dos mesmo, por parte da sociedade urbana em geral e, mais em especial por parte de alguns dos seus sectores mais relevantes e afluentes.
Orientado, fundamentalmente, para recursos não materiais presentes nestes territórios - estética das paisagens, bens ambientais e de Natureza, segurança, tranquilidade, tradições e modos de vida, entre outros - este movimento, também ele já largamente analisado, está, no dizer de alguns observadores, a "pôr os meios rurais de moda", elevando-os à categoria de "espaços de desejo", um desejo que se vem corporizando numa crescente eleição dos mesmos como destinos de férias, de lazer e de turismo, como locais de residência secundária, e assim os transformando em "objecto novedoso de consumo"!
As tendências emergentes de revalorização do rural e do natural animam, por sua vez, a formação e o fortalecimento da convicção de que o turismo pode constituir um instrumento eficaz para se lograr a revitalização e a recomposição dos territórios em depressão, dois objectivos assumidos, hoje, como imperativos, face à urgente necessidade de repor equilíbrios de ordem física e social, vitais para o presente e, mais ainda, para o futuro da sociedade.

domingo, 5 de setembro de 2010

Da área ardida à reflorestação


A área ardida todos os anos vai aumentando, ficando sem utilização áreas cada vez maiores de solos com aptidão florestal. De facto, quanto à floresta privada, os incêndios já são aceites como uma calamidade quase natural. Os proprietários florestais, sem qualquer apoio, deixam cair os braços perante a desgraça e, por si só, não metem mãos à obra de reflorestar as áreas ardidas. Antes da reflorestação ainda se põe a questão das madeiras ardida, dos salvados. O que acontece é que, regra geral, a madeira ardida, que não perde praticamente valor comercial se for logo cortada, é mal vendida a madeireiros que se aproveitam da situação.

A reflorestação das áreas ardidas no país não está a ser feita a um ritmo razoável. De facto não passou de algumas centenas de hectares que são reflorestadas por ano, enquanto por ano ardem alguns milhares de hectares.

Esta situação é cada vez mais grave, e continua a viver-se nas águas mornas porquanto, mesmo em relação à florestação de solos que têm aptidão florestal, estamos muito atrasados.

A questão que aqui se põe consiste em saber se basta consumir por abate e incêndio a floresta que temos, ou se antes nos devemos preocupar com a gestão do futuro da floresta.

Consumir o presente ou preparar e fazer a gestão do futuro é a resposta que tem de ser rapidamente dada perante tão grave situação.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A ausência de planeamento regional no Interior

O desenvolvimento do interior tem sido comprometido pela corrente de transferências de recursos em direcção ao litoral. O acentuar de tal corrente é, também, o resultado de uma política económica, decidida e programada a nível central, sem ter em conta as diferentes características, potencialidades e interesses das regiões. A transformação de tal quadro exige a definição clara dos objectivos de política de desenvolvimento regional e órgãos de gestão e planeamento genuinamente regionais.
O ordenamento regional não é apenas a implementação num dado espaço geográfico duma dada política económica, mas é também uma tomada de consciência por parte dos homens que vivem nesse espaço, do facto de que são eles os depositários e os herdeiros dum património que convém utilizar segundo as necessidades do presente mas de modo a prepará-lo e a organizá-lo com vista às necessidades do futuro.
A Beira Interior apresenta em termos médios uma situação de atraso, há a salientar a existência de zonas empobrecidas que tendem para a morte económica e social, começando a chegar a uma situação de "não retorno" em que, por não terem uma proporção suficientes de habitantes jovens, por não terem actividades industriais nem iniciativas de reconversão de técnicas e culturas agrícolas tradicionais, por não se alterar a estrutura da propriedade, por não existirem condições sociais e culturais atractivas, tais zonas ficarão, progressivamente, incultas, abandonadas e despovoadas, uma vez que se tem vindo a acentuar a repulsão líquida, entendida como a diferença entre a efectiva variação da população presente e os valores dos saldos fisiológicos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Agricultura na Beira Interior, que perspectivas?

O panorama da agricultura a nível regional não é brilhante, nem as perspectivas optimistas. Nesta região, tem-se assistido a uma acentuada diminuição da população activa ficando, cada vez mais, os velhos a tratar dos campos. Em alguns concelhos, com destaque para a zona da fronteira com a Espanha, a diminuição de população assume proporções muito acentuadas, fruto da repulsão, derivada sobretudo da estagnação da agricultura.
Temos que ser claros e directos, não escondendo a gravidade da situação, estes concelhos, estão a caminhar para uma situação que tende para a morte económica e social. A esta situação temos, economicamente, chamado de não retorno, pois que, por não terem actividades industriais nem iniciativas de reconversão da agricultura tradicional, por não se alterar a estrutura da propriedade rústica demasiado repartida e por não existirem condições sociais e culturais atractivas - tais zonas ficarão cada vez mais incultas e despovoadas.
Torna-se urgente que sejam definidas prioridades de actuação com vista a prestar apoio directo às especializações naturais que a região pode e deve desenvolver. Não interessa produzir de tudo e de qualquer maneira, mas antes, intensificar a produção em moldes correctos, proceder ao aproveitamento dos solos conforme as aptidões e utilizar uma tecnologia cada vez mais adequada, o que envolve a selecção das sementes, as adubações, a mecanização e introdução de novas culturas com destaque para a produção de forragens que importa intensificar. Será uma mais valia investir em actividades já significativas, salientam-se as seguintes áreas, que muito ganhariam se fossem aproveitados os fundos comunitários disponiveis: fruticultura, horticultura, ovinos e caprinos, produção de queijo da serra e o fomento florestal.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cabras usadas na prevenção de incêndios



Foi hoje apresentado na Guarda um projecto que aposta na utilização de cabras para a prevenção de incêndios florestais em territórios transfronteiriços das zonas raianas dos distritos da Guarda, Bragança, Zamora e Salamanca.
A ideia é fazer com que as cabras actuem como "limpadores naturais" dos campos agrícolas abandonados e montes, "deixando livres de vegetação zonas de potencial perigo de incêndio", garantindo a "sustentabilidade social, económica e ambiental".
Serão distribuídas a partir de 2011 por estas áreas rurais 15o mil cabras, que prevê criar 558 postos de trabalho em diversas áreas, desde pastores até comerciais.
Obviamente que surge a pergunta quanto vai custar isso? O Sel-Prevention, assenta num investimento de 48 milhões de euros (investimento dos governos de Portugal e Espanha e por fundos comunitários), com a respectiva criação de uma empresa, que ficará responsável pela distribuição dos caprinos e pela criação de equipamentos que sustentem a rentabilidade económica do projecto. Além disto, está previsto a criação de 12 queijarias, uma central de comercialização, 15 lojas e dois matadouros para abate dos animais (um em Portugal e outro em Espanha), entre outros serviços, visualizando-se receitas anuais de 30 milhões de euros.
Resta esperar pelo momento da distribuição das primeiras cabrinhas pela nossa raia e esperar que elas consigam consumir todo o mato e vegetação que expande nas nossas Beiras e ver o número de incêndios a diminuir.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Turismo e a sustentabilidade das áreas rurais: O caso do Inteiror das Beiras


Actualmente, os agentes públicos e privados no desenvolvimento do território rural de Portugal colocam muitas expectativas nos contributos do turismo para a concretização deste objectivo. Porém, tem-se reflectido muito pouco nas condições de base necessárias para garantir a viabilidade do desenvolvimento do turismo em espaços rurais e naturais. O despovoamento, o abandono das actividades agrárias tradicionais sem alternativas, o estado descaracterizado e degradado das paisagens com a consequente e cada vez mais grave recorrência de fogos florestais, como é o caso da maior parte das regiões do interior das Beiras, inviabiliza, nos territórios com estas caracteristicas, qualquer processo de desenvolvimento turístico sustentado, problema que tem de encontrar as soluções adequadas.
Se não é viável promover o turismo numa situação tão degradada da paisagem dos espaços rurais e naturais, então estamos, em termos de desenvolvimento, perante um círculo vicioso que é imperioso reconhecer e denunciar, pois o não reconhecimento de um problema nunca permitirá a sua resolução.
A promoção do turismo nestes espaços só será possível após a diminuição drástica da ameaça dos fogos florestais e da ocorrência dos grandes incêndios e depois de feita a recuperação dos valores naturais e das paisagens, em especial as que enquadram os equipamentos turísticos, os sítios com maiores potencialidades em património construído e natural, bem como os respectivos acessos.

domingo, 25 de abril de 2010

Casamento do turismo & desenvolvimento


O contacto com as entidades do poder local da minha região, nos últimos anos, leva-me a expor e destacar o frequente registo que o casamento do turismo com o desenvolvimento e a presunção do mesmo como o casamento ideal, que segundo os principais agentes das entidades, anunciam que tem tudo para dar certo, o que vêm ganhando no universo verbal dos responsáveis da administração pública local a par do exemplo que se regista a outros níveis - regional, nacional e comunitário respectivamente.
Vive-se numa atmosfera generalizada e elevada confiança que permeia o discurso dos autarcas sobre as virtualidades do turismo para alcançar a superação dos muitos e graves problemas com que a região no seu todo e cada um dos seus concelhos em concreto se enfrentam. A tal ponto, que poucos são, hoje, os que se atrevem a visualizar futuros de desenvolvimento local que não tinham por turbina, por locomotiva, o turismo, menos ainda os que concebem à revelia deste.

A preferência pelo turismo declarada pelos autarcas tem, aliás, vindo a constituir-se num dos denominadores mais comuns do discurso e da prática dos autarcas portugueses, em especial dos das regiões do interior. Fico ainda mais incrédula quando estes agentes confundem entre recurso, isto é, entre matéria-prima, e produto turístico. Com efeito, nas nossas conversas a generalidade dos autarcas identifica muitos recursos, muitas possibilidades, mas nem todos parecem ter claro o quê e como fazer para converter esses recursos num produto turístico definido.

sábado, 24 de abril de 2010

Que caminhos...???

Por questões de ordem estrutural e, acima de tudo, por falta de empenho político, vastos territórios rurais de todo o interior foram deixados à margem, excluídos das agendas e das dinâmicas de desenvolvimento concretizadas ao longo dos últimos anos, e convertidos em meros reservatórios de recursos materiais, recrutados/recrutáveis para sustentar os processos de crescimento económico de sede urbana e litoral.
As tendências emergentes de revalorização do rural e do natural animam, por sua vez, a formação e o fortalecimento da convicção de que o turismo pode constituir um instrumento eficaz para se lograr a revitalização e a recomposição dos territórios em depressão.
Será que podemos ir pelo turismo?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Competitividade & Conhecimento

Portugal atravessa uma fase de grande desafio e mudança. Verificaram-se, nas últimas décadas, inegáveis progressos na qualidade de vida dos portugueses, realizaram-se importantes obras de infra-estruturas, modernizou-se a económica. Contudo, o ritmo de convergência com a União Europeia abrandou e as disparidades regionais ainda são demasiado importantes. A economia cresceu com um contributo importante do consumo interno, satisfeito por crescentes importações. Portugal precisa, assim, de dar saltos qualitativos no processo de desenvolvimento, de qualificar o seu capital humano, de crescer com base numa gestão mais eficiente das contas públicas e da política de investimento, com melhor desempenho do tecido económico, apostando nas exportações. O desafio da competitividade coloca-se, pois, à Economia Portuguesa. É necessária uma política exigente de optimização dos recursos públicos, de investimento no conhecimento e saber, na reestruturação e ganhos de produtividade das empresas, na procura de novos e melhores mercados. Este desafio será bem sucedido se for acompanhado de um maior equilíbrio entre regiões e territórios e de aumento de bem-estar das suas populações.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sem saberem muito porque ponta lhe pegar!!!


Neste momento, a criação de riqueza está a tornar-se também fonte de criação de exclusão, de degradação rápida do meio onde nós vivemos e cuja a herança a transmitir a gerações posteriores é cada vez mais problemática. Estamos perante um modelo de desenvolvimento cancerígeno e suicidário. Produzimos cada vez mais, a humanidade aproveita cada vez menos, efectivamente, o fim não se sabe se estará à vista, se a espécie humana tem capacidades de regeneração que permitem travar a gangrena, ou melhor, a cancerigenação do meio, mas o prognóstico é muito complicado e faz-nos surgir perspectivas que pensávamos arrumadas com a crise do malthusianismo no século passado.

Realidades versus Utopias

Estamos a assistir a uma certa dinâmica do movimento associativo, mas o que se nota depois é falta de estruturas de apoio, ou seja, vamos encontrar determinado grupo de pessoas quase sempre com pouca qualificação, apesar da boa vontade, e que vão depois encontrar-se no terreno um pouco isoladas entre muitas, com um poder autárquico que muitas vezes utilizar e pressiona com chantagens políticas e com uma certa tentativa de manipulação, "vendendo" a ajuda autárquica mediante processos político-partidários pelo meio. Isto dificulta muito a acção dessas associações no terreno. Por outro lado, há a incapacidade que muitas vezes essas têm de se organizarem. Julgo que as associações em geral poderiam ter nas ADLs ou nas ALDs a possibilidade de encontrarem uma certa estrutura de apoio, porque elas já estão no terreno e já têm um certo know-how.

sábado, 28 de novembro de 2009

Turismo vs revitalização dos espaços rurais

A revalorização actual dos espaços rurais, nas perspectivas ambiental e cultural, insere-se numa nova concepção daqueles espaços enquanto patrimónios multifuncionais e intergeracionais, que articulam as funções produtivas com funções culturais, ambientais, recreativas, pedagógicas e simbólicas. Este processo de patrimonialização do mundo rural relaciona-se não só com a relevância das temáticas da protecção da natureza e da paisagem, mas também com as actuais dinâmicas de valorização dos patrimónios históricos e culturais, enquanto eixos privilegiados para a valorização das memórias e identidades locais. Por conseguinte, é no interior deste quadro conceptual que se poderá compreender a patrimonialização do saber-fazer e das identidades locais e a sua introdução nas estratégias de desenvolvimento local e regional. A própria noção de património rural inclui uma nova valorização das suas componentes sociais e culturais, onde se articulam cultura e preservação do ambiente e da paisagem com pedagogia e formação das gerações mais jovens. Uma estratégia que em termos estratégicos, e de acordo com uma perspectiva de desenvolvimento integrado, estas novas dinâmicas de territorialização do lazer podem desencadear processos sustentáveis de revitalização local. Sem esquecer que esta visão articulada deverá cruzar e integrar, nas estratégias de desenvolvimento, as necessidades e expectativas das populações locais, além de contribuir para a atracção de visitantes, mas também por consequente melhoria do rendimento das populações e para a sua fixação no local, nomeadamente as camadas jovens.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Gestão regional.....!

Na perspectiva de quem vive no interior, cá faz a sua vida e contacta diariamente com a realidade política, económica, social e cultural desta região consegue com facilidade delinear os labirintos existentes. Parece-me que a melhor via para questionar o desenvolvimento do país, nomeadamente na sua face regional, consiste em utilizar a óptica da gestão. O tipo de gestão que se tem praticado no país, surge de um quadro de objectivos globais e de um conjunto de instrumentos políticos e económicos que têm sido (ou não) clarificados e utilizados!! Tem sido, sobretudo a ausência de um modelo e consequentes vectores de planeamento e de coerência política, económica e financeira que tem perturbado e ampliado as já por si deficientes qualidades de gestão da classe dirigente do país.
Acontece que estamos em região carenciada sob aspectos económicos, sociais e culturais, atravessando-se um período em que as suas actividades económicas tradicionais carecem de ser repensadas, não só porque têm atravessado crises agudíssimas, mas também porque há pouca diversificação económica com desaproveitamento de potencialidades. Há desemprego, vocações económicas por desenvolver - agricultura, pecuária, turismo...etc!!
Pode afirmar-se, que na região da Beira Interior se vivem agudamente situações que exigem a intervenção do poder central e europeu. Ou vamos esperar que os números da desertificação continuem aumentar e apanhem o TGV em Lisboa ou no Porto?!!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Que desenvolvimento regional?

A atenuação dos desiquilibrios regionais entre o litoral e o interior exige a definição de uma política de desenvolvimento regional coerente, que permita um desenvolvimento harmonioso do interior no contexto global do País.
Quem conhece o país, apercebe-se do nítido contraste entre o desenvolvimento das suas regiões: umas bastante despovoadas, estagnadas e adormecidas - as do interior - outras mais povoadas, por vezes saturadas de actividades, que se foram aglomerando e concentrando à volta de uns poucos centros urbanos. De região para região, do interior para o litoral se deslocam recursos humanos e materiais - umas regiões de desenvolvem à custa da depauperação de outras. Assim algumas regiões empobrecidas já começam a chegar a uma situação de não retorno, isto é, a um ponto tal, que por não terem uma proporção suficiente de habitantes jovens, por não terem centros industriais ou de reconversão das técnicas agrícolas tradicionais e por não se alterar a estrutura da propriedade - essas regiões acabarão progressivamente incultas, despovoadas e abandonadas uma vez que a taxa de repulsão é muito superior ao saldo de natalidade e taxa de mortalidade.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Turismo e Desenvolvimento Local

(...) não é o turismo que permite o desenvolvimento, mas o desenvolvimento (....) que torna o turismo rentável".

Foi assim que Ascher (1984) traçou a relação entre turismo e desenvolvimento local. Sendo que para compreender o turismo no contexto da sociedade global, é preciso examiná-lo não apenas como fenómeno social mas, sobretudo, como um "produto".
Contudo, o fenómeno turístico, aliás como em todos os aspectos da sociedade do século XXI, está em profunda mudança. E as grandes mudanças do turismo de hoje, implicam, reforçam, pelo lado da oferta, o aparecimento de novos modelo(s) turístico(s) alternativo(s), culminando naquilo que autores (Trzyrna, 1995) classificam de lógica da sustentabilidade.
Definido como processo de mudança social e de elevação das oportunidades presentes da sociedade, sem comprometer a capacidade das gerações futuras verem atendidas as suas próprias necessidades, o desenvolvimento sustentável requer a compatibilização , no tempo e no espaço, entre crescimento, eficiência económica, conservação ambiental, qualidade de vida e equidade social.
Um desafio que as populações locais enfrentam, dispondo actualmente de um conjunto de instrumentos onde a tradição materializada pelas especificidades locais e a inovação, produto do partenariado local com os poderes públicos e a comunidade científica, se torna hoje possível, pela profunda alteração do perfil dos visitantes em curso.

sábado, 17 de outubro de 2009

A Região Centro como destino turístico

A Região Centro de Portugal tem grande potencial para ser transformada num destino turístico relevante ao nível nacional. Factores como a diversidade e a riqueza das atracções turísticas, a localização geográfica, as boas acessibilidades, a hospitalidade dos residentes, os preços competitivos e a segurança, são apenas alguns dos vectores que devem ser destacados para destacar e justificar o seu forte potencial turístico.
No que se refere a atracções turísticas, existem na região recursos naturais e culturais com forte atractividade, desde o litoral ao interior do país com as suas praias, rios, áreas protegidas, termas aldeias históricas, museus, castelos, igrejas, solares, artesanato e gastronomia e vinhos regionais que assumem um lugar de destaque.
A diversidade de recursos da região torna bem patente a forte capacidade para o desenvolvimento de produtos turísticos, destacando-se o turismo cultural, o turismo de natureza, o turismo de saúde, o turismo em espaço rural e o turismo desportivo. Sem esquecer de incluir nestes produtos as diversas atracções que foram sendo construídas nos últimos anos, enriquecendo e dinamizado qualquer produto turístico.
Este passo exige o desenho de estratégias e planos de captação dos segmentos de maior interesse para a região.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A tradição do vinho vem de tempos antigos....


Antes de existirem adegas cooperativas, os agricultores faziam o vinho nos seus lagares e cada um o guardava na sua adega. As uvas eram transportadas em pipas e carros de bois até aos lagares. Aí as mulheres enchiam gamelas (vasilhas de madeira) e despejavam as uvas no lagar, onde eram pisadas pelo pé ou braço dos homens e espremidas pela prensa. Deixava-se ferver o mosto ainda dentro do lagar. Três ou quatro dias depois saía o vinho para as pipas já untadas com sebo. A adega só recebia luz da porta para que estivesse sempre fresca e o vinho se conservasse com todas as suas qualidades. Depois de cheias as pipas e lavado o lagar guardava-se o bagaço nas tulhas, bagaço que mais tarde era transformado em aguardente. Durante alguns dias o responsável pela adega inspeccionava as pipas para se certificar de que não deixavam sair líquido. O bagaço era levado para as alquitarras (utensílios de produção de aguardente) que tinham um pote onde se colocava o bagaço e uma cabeça que levava a água fria de modo a permitir a condensação do vapor produzido pelo aquecimento do bagaço. A aguardente escorria pelo cano para um recipiente.
A altura em que se faz aguardente é Outubro e Novembro. Depois de extraída a aguardente, o bagaço serve para adubar as terras e alimentar os animais. ´
É assim a tradição por Terras da Beira que as gentes locais continuam a dar continuidade a esta actividade, com a introdução de alguma tecnologia nalgumas famílias!
A Associação de Desenvolvimento Local Terras da Beira pretende dar continuidade a esta arte do saber-fazer com o desenvolvimento de um tour turístico que incide sobre esta temática: as Vindimas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Arquitectura beirã

O clima figura entre os factores condicionantes da arquitectura beirã. Um certo rigor de análise permite filiar grande número de particularidades das edificações no propósito de defender as pessoas, os animais domésticos, os géneros, as alfaias e até os próprios edifícios, contra as inclemências e os estragos do tempo.

O condicionamento dos factores climatéricos revela-se por toda a Beira, como se disse, em diversas particularidades das edificações típicas.
Em revestimentos de paredes é frequente - e evidente - a preocupação de as proteger, bem como aos interiores que delimitam, contra os agentes climáticos de incomodidade e destruição.

Os parâmetros de telha de canudo, pregada ao alto sobre uma armação de madeira, são correntes e de elevada eficiência.

Nos telhados de telha vã, evita-se que o vento as desloque ou arranque, dispondo pedras sobre elas; e, nos de colmo, são diversos os pormenores reveladores de condicionamentos climáticos.
Certos elementos das construções fazem-se assim...porque o dinheiro não dá para mais, ou porque tem de se poupar para ocorrer a despesas essenciais. É o caso dos telhados de telha vã, sem qualquer protecção interior contra a entrada do vento e do frio pelas juntas das telhas e contra as perdas do calor das fogueiras em que se preparam as refeições. Atenuam-se, apenas, com práticas de acentuado primitivismo, justificadas, contudo, por esse baixo nível económico e pelo hábito tradicional do desconforto. Uma delas é não fazer chaminés para que o calor ( e o fumo também, infelizmente) se conserve mais tempo nas habitações; outra é reduzir ao mínimo a superfície das alcovas e não lhes abrir janelas para o exterior.

O granito é de todos esses materiais aquele em que a Natureza foi mais pródiga e generosa para os construtores da região. Pródiga pela abundância com que o fez aflorar em terras da Beira e generosa pelas qualidades excepcionais com que o dotou.
Fica o exemplo de uma casa tradicional de pequenos agricultores por terras da beira, que urge preservar estes testemunhos, até para comparar a evolução positiva.

domingo, 6 de setembro de 2009

Turismo e desenvolvimento regional


Hoje em dia, entende-se o turismo como uma actividade sociocultural, ambiental, política e económica, que garante o desenvolvimento e a sustentabilidade das populações, com impactos quer positivos quer negativos nas mesmas. Mas, a relação entre "turismo e desenvolvimento" é bastante conturbada se reflectirmos, principalmente, no conceito de sustentabilidade.
A actividade turística, no meio rural, tem sido apontada como "tábua de salvação" económica e mesmo social deste território. O turismo é visto como uma actividade prioritária para salvar o mundo rural e o mesmo acontece com a animação turística.

Mas, o território rural está deserto, sem gente, com campos agrícolas abandonados, parece-me, por isso, necessária uma maior reflexão sobre o papel do turismo no desenvolvimento rural. Adoptar uma visão integrada e multidireccional e sobretudo é necessário que se faça planificação e que ela seja participativa.

Para alcançar o desenvolvimento sustentável das populações rurais, é necessário compreender o turismo rural. Ora, a adequada compreensão do turismo rural em toda a sua extensão, obriga analisar previamente as características dos espaços que acolhem esta actividade pois, da especificidade de cada espaço rural, é que surgirão as potencialidades e atributos do desenvolvimento turístico assim como , os factores críticos e impactos positivos e negativos desse desenvolvimento.

Apesar da multiplicidade dos territórios rurais, cada território rural é único, cada qual tem a sua estrutura nos núcleos de povoamento, formas de cultivo das terras, recursos naturais e culturais próprios. Na verdade, as condicionantes geográficas, económicas e sociais que ocorreram ao longo dos tempos, originaram sociedades rurais com identidade própria, depositárias de valores e manifestações tradicionais e culturais singulares que é necessário respeitar para lhe garantir sustentabilidade.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Que o impossível se torne provável!


É assim que muitos dos estudiosos encaram a animação turística como animaçao sociocultural. A relação entre turismo e animação turística tem um cunho marcadamente mercantilista, como seja, a necessidade do mercado turístico em ocupar o tempo de estadia do turista, distender a duração da estadia e fidelizar o turista.

Além disso a animação turística, seja, ao nível dos hotéis, casas de TER, por empresas específicas ou pelas comunidades receptoras de turistas, tem outra dimensão que é a possibilidade de criar um espaço de enriquecimento intercultural, entre locais e visitantes.

Isto implica que os principais agentes encarem a animação não só como um simples negócio turístico, mas também como uma oportunidade de intercâmbio que contribui para o entendimento mútuo entre pessoas vindas de diferentes universos sociais e culturais.

Perante ao exposto, entendemos que a animação turística deve ser entendida como um dos âmbitos de animação sociocultural, tendo como filosofia, fundamento da acção, a comunidade residente receptora que,no acto da relação e da partilha, se apresenta em toda a plenitude do seu ser, evidenciando e partilhando com o outro o seu saber e saber fazer, sabendo estar, aprendendo juntos.

domingo, 23 de agosto de 2009

Desenvolvimento local no contexto económico....

Quais são hoje as competências que aparecem como indissociáveis da capacidade de um território gerar o bem estar da sua população local?
O ênfase é cada vez mais colocado nos recursos "construídos" (tecnologia, know-how, qualificação dos recursos humanos e métodos de gestão) e menos nos recursos naturais. Vital para esta capacidade produtiva são os processos de aprendizagem que permitem criar e transmitir o conhecimento necessário para a evolução dessa região numa economia global. Sendo que alguns estudiosos, nomeadamente economistas consideram que entramos numa nova fase do desenvolvimento económico a que denominaram a learning economy.
Neste sentido, os sistemas produtivos locais das "regiões que ganham" organizam-se em torno de dois eixos: a coesão interna que é capacidade dos vários actores do sistema conceberem uma estratégia comum de desenvolvimento; e a abertura ao exterior que passa pela capacidade de o local possui em estabelecer contactos externos e aceder às dinâmicas de desenvolvimento globais.
Temos assim a base e os eixos em que se articula o desenvolvimento (territorial) local.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Feira Medieval por terra de Pedro Álvares Cabral.....


O sol declina no horizonte e aos nossos ouvidos começa a chegar o bulício ....

A expectativa é grande....O recinto da feira vai-se vestindo de um fervilhar de gente...E ao longe começa a ouvir-se o trote dos cavalos D´El Rei. Com eles vêm as trompetes e o arauto que logo irá ler a Carta da Feira. A Feira era um momento de negócio e de festa um local de diversão.

Foi assim, no passado fim de semana em Belmonte vieram mercadores e população local com produtos de vários géneros. A Feira Medieval em Belmonte realizou pela VI nos dias 14, 15 e 16 de Agosto, acabando por explicar a integração de Belmonte nas Aldeias Históricas de Portugal.

A Associação de Desenvolvimento Local Terras da Beira não desperdiçou esta oportunidade em estar presente, não apenas, usufruindo desta viagem no tempo como participou com a mostra e venda de produtos tradicionais que se encontram bem patentes por esta região, aproveitando o evento para salvaguardar a importância que os agentes de desenvolvimento local devem ter na projecção e recuperação de produtos que constituíam o dia a dia das gentes locais.

Os representantes da ADLTerras da Beira, realçam a importância destes eventos para a promoção e valorização local de territórios do interior do país, tal como da envolvência e participação da população local ao vir para a rua mostrar o saber-fazer.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pela primeira vez....


Portugal tem um plano transversal a médio e longo prazo. Como todos sabemos, o planeamento e a estratégia são fundamentais para a concretização de objectivos. O planeamento assume-se na actualidade como um esforço de regulação a médio prazo de um sistema social e pode ser definido como uma actividade mediante a qual determinada sociedade, através de vários actores e órgãos competentes, procura controlar e modificar deliberadamente o seu futuro colectivo com o uso de determinadas técnicas de acção social.

O turismo assume um enorme peso para a dinâmica da economia portuguesa, um sector bastante competitivo. Face a este cenário de ascensão, Portugal precisava, de um plano estratégico para este sector.

O Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT) traduz essa estratégia, em que define a base nas vantagens do país e no potencial da procura internacional, um leque de 10 produtos estratégicos: sol e mar, turismo de negócios, touring cultural e paisagístico, golfe, city breaks, saúde e bem-estar, turismo náutico, gastronomia e vinhos, turismo residencial e turismo de natureza. Acima de tudo é uma aposta em vectores diferenciadores que podem traduzir a vantagem de Portugal face a outros destinos concorrentes. Uma aposta que passa pelo desenvolvimento de 6 novos pólos turísticos: Douro, Serra da Estrela, Oeste, Alqueva, Litoral Alentejano, Porto Santo e Açores (pólo-região que se encontra uma fase estratégia mais avançada). O PENT visa dar a estas novas centralidades turísticas, abrir portas ao turismo, dar relevância turística, a locais e regiões com enormes potencialidades, mas que se encontravam subaproveitadas. A visão de que a realidade turística apenas se restringe ao Algarve e Madeira é uma ideia totalmente errada, pois os novos pólos são actualmente reconhecidos interna e externamente, como destinos turísticos com uma oferta diferente, qualificada e competitiva.