Mostrar mensagens com a etiqueta Gentes de cá.... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gentes de cá.... Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Trajes há mais de cem anos....

O guardense José Franco, etnógrafo no Boletim Altitude (1942) descreveu os trajos femininos das raparigas da aldeia da Coriscada.

Na reconstituição a rapariga aparece com o lenço da cabeça, o vulgar cachenez, em lã e de cores variadas, mas sempre escuras, é atado com um único nó, sob o queixo. O bajum muito cingido ao corpo, fecha a frente com colchetes, tem a manga justa, e pequenina gola com um virado de cambraia, ou de renda feita à mão. A saia é de vários panos, nunca menos de quatro, é franzida de cambraia ou de renda feita à mão. O bajum e a saia são em pano fino de cor azul ferrete ou preto.
Traçado sobre o peito, um lenço vermelho liso ou vermelho com ramagens. As meias feitas à mão, de algodão branco ou azul escuro, são lisas.
A camisa com mangas, tem o corpo de linho e a parte interior de estopa. É aberta à frente.
Sobre esta um colete de linho branco com ilhoses e atacador.
Saiote vermelho de estelete ou raxa. Sapatos de salto baixo, atacador, de cordovão.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Padre Costa que gerou 299 filhos....

No século XV por terras da Beira Alta, já se "estimava" haver no século XXI quebras na taxa de natalidade...!!!
Conta a história que um Padre que viveu em Trancoso no remonto séc XV, terá gerado 299 filhos em 53 mulheres. Da sua sementeira resultou a colheita de 214 raparigas e 85 rapazes, gerados em mais de meia centena de mulheres, muitas das quais suas familiares próximas, incluindo irmãs e a própria mãe. A lenda, refere ainda, que em 1487, com 62 anos foi condenado a ser "degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, a cabeças as mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou". Contudo, El`Rei D. João II perdoou a morte e mandou pôr em liberdade com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo!!
Uma lenda...hoje muito desejada por territórios de baixa densidade populacional do nosso Portugal!!

domingo, 5 de julho de 2009

Gonçalo Anes Bandarra


Poeta, Profeta e Sapateiro


Uma figura mítica do Concelho de Trancoso, nasceu no início do século XVI presumindo-se em 1500. Segundo os dados disponibilizados, terá nascido em berço rico, no entanto, perdida a fortuna em ignotas empreitadas, para fazer face à sua pobreza tomou o ofício de sapateiro de correia (fabricava e remendava calçado).
Devido às trovas que escreveu,acabou por ser perseguido pela Inquisição, pois, a população judaica alvoroçou-se com a vinda do Messias e, que à sua maneira interpretavam as coplas do profeta. Consequentemente Bandarra, acabou por ser preso em Trancoso e remetido para as casas do despacho da Santa Inquisição (Lisboa). No decorrer dos interrogatórios não se conseguiu comprovar a sua ascendência judaica. Do auto que lhe foi lido, foi proibido de responder ou escrever em nenhuma coisa da Sagrada Escritura, nem a ter nenhuns livros da mesma! Regressou a Trancoso, no entanto, não se sentindo segurança nesta terra, foi esconder-se entre montanhas no lugar de Nogueirão (próximo da Aldeia Velha), a cerca de nove quilómetros de Trancoso, alguns anos depois, Bandarra deixou o seu esconderijo e regressou a Trancoso,aonde viveu até à sua morte que data 1545. Dita a tradição, que morreu pobre e sustentado por duas filhas e, por uma companheira, da qual não reza a História. Muitas das suas profecias foram referenciadas e continuam a ser, Fernando Pessoa afirmou: "(...) O Bandarra, símbolo eterno do que povo pensa de Portugal (...) o Futuro de Portugal - que não calculo mas sei - está escrito já, para quem saiba lê-lo, nas trovas do Bandarra.


Sou sapateiro, mas nobre
Com bem pouco cabedal;
E tu, triste Portugal,
Quanto mais rico, mais pobre

Posteriormente, foi seguido por figuras de enorme relevo da cultura portuguesa, tais como: Fernando Pessoa, Padre António Vieira, Agostinho da Silva entre outros.
Resta-nos na Aldeia Histórica de Trancoso, o seu túmulo embutido numa das paredes da Igreja de S. Pedro. Muitas das sua profecias tiveram exequibilidade após a sua morte.


Em dois sítios me achareis
Por desgraça ou por ventura
Os ossos na sepultura
A alma, nestes papéis