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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Arquitectura beirã

O clima figura entre os factores condicionantes da arquitectura beirã. Um certo rigor de análise permite filiar grande número de particularidades das edificações no propósito de defender as pessoas, os animais domésticos, os géneros, as alfaias e até os próprios edifícios, contra as inclemências e os estragos do tempo.

O condicionamento dos factores climatéricos revela-se por toda a Beira, como se disse, em diversas particularidades das edificações típicas.
Em revestimentos de paredes é frequente - e evidente - a preocupação de as proteger, bem como aos interiores que delimitam, contra os agentes climáticos de incomodidade e destruição.

Os parâmetros de telha de canudo, pregada ao alto sobre uma armação de madeira, são correntes e de elevada eficiência.

Nos telhados de telha vã, evita-se que o vento as desloque ou arranque, dispondo pedras sobre elas; e, nos de colmo, são diversos os pormenores reveladores de condicionamentos climáticos.
Certos elementos das construções fazem-se assim...porque o dinheiro não dá para mais, ou porque tem de se poupar para ocorrer a despesas essenciais. É o caso dos telhados de telha vã, sem qualquer protecção interior contra a entrada do vento e do frio pelas juntas das telhas e contra as perdas do calor das fogueiras em que se preparam as refeições. Atenuam-se, apenas, com práticas de acentuado primitivismo, justificadas, contudo, por esse baixo nível económico e pelo hábito tradicional do desconforto. Uma delas é não fazer chaminés para que o calor ( e o fumo também, infelizmente) se conserve mais tempo nas habitações; outra é reduzir ao mínimo a superfície das alcovas e não lhes abrir janelas para o exterior.

O granito é de todos esses materiais aquele em que a Natureza foi mais pródiga e generosa para os construtores da região. Pródiga pela abundância com que o fez aflorar em terras da Beira e generosa pelas qualidades excepcionais com que o dotou.
Fica o exemplo de uma casa tradicional de pequenos agricultores por terras da beira, que urge preservar estes testemunhos, até para comparar a evolução positiva.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Feira Medieval por terra de Pedro Álvares Cabral.....


O sol declina no horizonte e aos nossos ouvidos começa a chegar o bulício ....

A expectativa é grande....O recinto da feira vai-se vestindo de um fervilhar de gente...E ao longe começa a ouvir-se o trote dos cavalos D´El Rei. Com eles vêm as trompetes e o arauto que logo irá ler a Carta da Feira. A Feira era um momento de negócio e de festa um local de diversão.

Foi assim, no passado fim de semana em Belmonte vieram mercadores e população local com produtos de vários géneros. A Feira Medieval em Belmonte realizou pela VI nos dias 14, 15 e 16 de Agosto, acabando por explicar a integração de Belmonte nas Aldeias Históricas de Portugal.

A Associação de Desenvolvimento Local Terras da Beira não desperdiçou esta oportunidade em estar presente, não apenas, usufruindo desta viagem no tempo como participou com a mostra e venda de produtos tradicionais que se encontram bem patentes por esta região, aproveitando o evento para salvaguardar a importância que os agentes de desenvolvimento local devem ter na projecção e recuperação de produtos que constituíam o dia a dia das gentes locais.

Os representantes da ADLTerras da Beira, realçam a importância destes eventos para a promoção e valorização local de territórios do interior do país, tal como da envolvência e participação da população local ao vir para a rua mostrar o saber-fazer.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Jovem de seu nome Rosa...


Conta uma lenda antiga que habitava neste castelo um importante fidalgo de seu nome D.Ramiro Alvar. Apesar de intensa vida social, havia já feito 30 anos sem que descobrisse mulher que lhe aprouvesse para noiva.
Certo dia, num solitário passeio a cavalo, encontra uma formosa aldeã por quem sente forte paixão, pedindo-a em casamento. A jovem, de seu nome Rosa, aceita e a boda tem lugar pouco tempo depois, adquirindo a jovem bem depressa os modos e maneiras de nobreza.
Contudo, dois anos eram passados sobre o feliz enlace quando a guerra chama o jovem fidalgo que, em plena batalha, salva a vida de um companheiro de luta D. Gonçalo, a quem permite que se restabeleça em sua própria casa. D. Gonçalo, fidalgo aventureiro, é recebido no castelo de Longroiva a fim de recuperar dos ferimentos da guerra, mas rapidamente se enamora da esposa do seu amigo e salvador, paixão que se torna correspondida.
Após o seu restabelecimento faz acreditar à sua anfitriã que o seu esposo perecera em combate, notícia que deixa Rosa em profundo luto durante um ano, findo o qual aceita casar com D. Gonçalo que, entretanto, permanece no castelo. Durante o alegre casamento, D. Ramiro regressa ao castelo e de imediato se trava um duelo entre dos dois rivais, acabando D.Gonçalo por sucumbir ao braço forte de D. Ramiro. A jovem pede igualmente a morte mas o marido quer perdoar-lhe o ocorrido, facto que Rosa, sentido-se desonrada, recusa, passando desde então a viver sob uma rigorosa penitência na sua antiga cabana no bosque. Diz a tradição que ainda hoje, quando alguém por este bosque passeia, junto à cabana do remorso se ouve o choro da jovem aldeã.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Entre ruínas encantadas....

A visita a Aldeia Histórica de Marialva justifica bem uma viagem de um dia......
A este objectivo acrescenta-se o interesse de observar solares, casas típicas, igrejas e ermidas de encantar. Marialva é uma vila medieval antiquíssima, apresentando-se com três aglomerados populacionais: a cidadela entre muros (que ainda no principio do século XX era habitada), e que hoje se encontra em ruínas; a vila com traços quinhentistas e a Devesa, que se estende para a planície, onde corre a ribeira desta aldeia. Se equacionar uma visita nocturna, também se vai deslumbrar com esta aldeia, as muralhas do seu castelo destacam-se ao longe, de contornos irregulares, tomam a forma de um barco e que parece navegar para Sudoeste. No interior destas, encontra no largo principal as ruínas do Paço de Alcaide, da Casa de Câmara, Cadeia, Cisterna e Pelourinho...ainda no ponto mais elevado do interior das muralhas, podemos contemplar a Torre de Menagem, a Igreja Matriz de Santiago, e a Capela do Senhor dos Passos ou observar um campanário românico da Igreja dos Templários (Igreja de S. João) ...ou perder-se nas ruínas do Convento franciscano de N.ª Sr.ª dos Remédios de Vilares.
Uma linda aldeia integrada no Programa das Aldeias Históricas de Portugal...uma boa prática de desenvolvimento sustentável, mas depois de concretizada a primeira fase de recuperação...vão-se as crianças e ficam os velhos! Ficam uma serie de questões no ar...o que falhou neste Programa? Qual o papel a desempenhar pelas entidades locais para inverter tal situação? ....??